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Sempre fui dita como exagerada. Já me definiram como “uma mulher que é um escândalo”. Isso porque sou regida pelos sentimentos, pela presença do outro na minha vida. Não tenho predisposição para o marasmo e para o sabor das coisas à meia dose...inclusive na serenidade. Minhas manifestações de amor, entusiasmo, felicidade e até mesmo raiva e tristeza são imensas, mesmo que ninguém perceba, pois muitas vezes o exagero de sentir é só meu, interno. Implosão! O sentir é verbo que se conjuga pra dentro... Mas daí vem a alegria. Um sentimento que extrapola meus conceitos de intensidade e dramaticidade. Ela advém de coisas simples, de gestos pequenos. Traz uma inexprimível beleza e, que nada mais é, que a harmonia do temperamento com as circunstâncias. Isso é: fazer os desejos, as tristezas, as experiências do prazer e das ilusões desenvolverem-se gradativamente e, depois da compostagem, virarem adubo em forma de alegria pungente. É aquele sorriso que teima em não te abandonar no dia seguinte. E quando o mundo estiver ruindo em cima de ti, e os exageros dos outros sentimentos se manifestarem, ela estará lá, guardada e pronta pra entrar em ação e aquietar. Sem cobrança e nem posse. Apenas por ser. Contagiante! Já dizia Carlos Drummond de Andrade, “(...) felizmente existe o álcool na vida. Uns tomam éter, outros, cocaína. Eu tomo alegria!” Esta edição é um convite à embriaguez. Um grande abraço e uma ótima leitura! Cristina Jones Editora |